Registro de Direito Autoral – Texto Registrado - Cabeçalho Registro de Direito Autoral – Texto Registrado - Cabeçalho

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BRASIL EM CORDEL -- 2011-07-24 - 11:51:46 (Andarilho)

BRASIL EM CORDEL
Silva Filho





Meus prezados companheiros
Menestréis de bom quilate
Seja bardo ou seja vate
Trovador ou violeiro;
Neste Cordel domingueiro
Do verso faço canção
Quando falo a cada irmão
No Brasil azul-celeste:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Minha rima é meu acorde
Grande orquestra afinada
Quando alterno pra balada
Mais o verso fica forte;
O meu estro - é meu norte
À procura dum rincão
Pra fazer prospecção
Dos fundamentos rupestres:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Quando estou desanimado
Leio Cordel dum amigo
E assim abro um postigo
Diante dum imenso tablado;
Logo me sinto inspirado
Pra qualquer composição
Vou buscar imaginação
Para mais de um trimestre:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Vem Cordel de toda parte
Do Brasil, dos quatro cantos
Do Pará, do Espírito Santo
Todo Estado quer a arte;
Até mesmo como encarte
Tem Cordel no Maranhão
Tocantins e região,
Por onde passa um pedestre:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Há uma voz lá em São Paulo
Com sotaque cearense
Por que não, piauiense
Também cantando de galo;
Baiano vem no embalo
Pernambuco e seu Sertão
Qualquer vila quer refrão
Compondo um verso que preste:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Digo, então, que a Paraíba
No Cordel tem qualidade
Alcançou maturidade
Que reflete em Curitiba;
E com tanta gente amiga
Não tenho desculpa não
Pra deixar meu coração
Sem essa rima do agreste:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.

Campo Grande, nas guaíbas
Em Brasília e Fortaleza
O verso mostra beleza
Espalhada pelas ribas.
Ao plantar a manaíba
Onde chama seu torrão
O caboclo planta o pão
Mas com verso ele se veste:
Quem quiser passar por Mestre
Que se entregue à volição.


/aasf/.


MOTE E GLOSA: Silva Filho


 

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